domingo, 21 de dezembro de 2008

Bienal de Artes e Ofícios

Promovida pelo CRAT, começou no auditório da Casa do Infante, no Porto, no passado dia 10 do corrente mês, a edição de lançamento da denominada Bienal de Artes e Ofícios-CRAT 2008 ano zer0.


“Pensada para ser um fórum de reflexão e discussão alargado”, realizar-se-á todos os anos pares, tendo como “principais objectivos a promoção activa de conhecimento na área das artes e ofícios e da cultura tradicional e a produção de resultados concretos que sirvam os propósitos do desenvolvimento do Artesanato Português”.


Algumas cerâmicas da exposição


Do programa foram pontos fortes as comunicações Cestaria portuguesa, Cerâmica em Portugal e Têxtil artesanal, proferidas respectivamente pelos ilustres Dr. Alberto Correia (ex-director do Museu Grão Vasco de Viseu), Dr.ª Isabel Maria Fernandes (Directora do Museu Alberto Sampaio de Guimarães) e Dr.ª Ana Pires (membro da Comissão Coordenadora da Região Centro e directora da Revista Mãos).








Igualmente importante foi a discussão alargada que se seguiu e as conclusões sobre o modelo da bienal. Para finalizar a jornada, os participantes no encontro deslocaram-se ao CRAT, na rua da Reboleira, para a inauguração da exposição Fibras, Barros e Fios portugueses que fecha em Janeiro e merece visita.

J. R.

sábado, 29 de novembro de 2008

Sais Metálicos

Há algum tempo nasceu-me a curiosidade de saber algo sobre a aplicação de sais metálicos na cerâmica, com função colorante, principalmente após ter consultado o livro CERÂMICA ARTÍSTICA, de Maria Dolors Ros i Frigola onde, a páginas 134 a 137 e 156, aparece a descrição da técnica usada pelo ceramista catalão Carlets e respectivas fotografias.
O próprio deu-me dicas a esse respeito, no encontro de Barcelos, já referido noutra data. Fiquei com o “bichinho no corpo” e comecei as experiências.
Os primeiros resultados não me satisfizeram. Mas, mais importante, comecei a perceber melhor o funcionamento dos sais puros, sem diluição, aplicados sobre engobe e a ter noções mais precisas sobre a técnica do Carlets, a qual se realiza a média temperatura (1020ºC aprox.).
A curiosidade e o anseio de desfazer dúvidas surgidas, aumentaram. Foi nesta altura que tive conhecimento que, no CENCAL, Caldas da Rainha, se ia realizar um curso sobre engobes e sais em alta temperatura (1240ºC aprox.).
Claro… Solicitei que me inscrevessem e pude frequentar.
Sob a boa orientação da designer cerâmica Maria Jesus Sheriff, que na instituição exerce as funções de coordenadora da área de decoração cerâmica, o grupo de inscritos utilizou todo o tempo programado (e mais algum ainda) para investigar formulações, experimentar e concluir, tomando as suas notas. A matéria de estudo era pouco conhecida dos elementos do grupo. Fizemos muitas amostras, diria centenas, com diferentes pastas, engobes, colorações com óxidos, com corantes e sais metálicos (diluídos). Utilizamos diversas matérias-primas como fundentes, estabilizantes, perfilantes etc. Servimo-nos de estufa e fornos. Mas acima de tudo da funcionalidade operacional das instalações desde as salas/oficina ao laboratório, sala de moldes, área de pintura (onde a Jesus se perde … e se encontra…) etc.
Todas as conclusões foram de interesse, mesmo as que não produziram os resultados esperados. Serviram para reflexão.
Também de referir que os serviços de apoio aos formandos foram de grande utilidade.
As relações pessoais entre os diversos elementos, dez pessoas com a orientadora, extrapolando para as pessoas do CENCAL que connosco contactaram foram geradoras de simpatia em todas as direcções.
Terminado o curso, seguimos todos para casa da Jesus, a seu amável convite, onde convivemos a jantar, cimentando amizades que já existiam ou se iniciaram.
Se o desejo de conhecer os sais já era grande, maior ficou com o curso, uma vez que, para o fim, os resultados começaram a animar. O sentimento geral é de que devemos continuar o estudo e, assim sendo, vamos exercitar em nossas casas/oficinas e, daqui a três meses, apresentaremos os resultados, reciprocamente, em nova reunião.
J R

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Tubos

Grés refractário (1260ºC), vidrados (1030ºC),
lamas de pastas e vidrados (1030ºC)
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"Tubos e Outras Coisas"
J R

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Vasos


Grés chamota fina (1240ºC) e Terracota (1020ºC)
J R

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Boassas 2006

Fernando Malo diz no seu blog que espera que as suas peças – os armários estão cheios – encontrem mãos que as acariciem com prazer.
Essa maneira de dizer fez-me lembrar o quanto eu aprendi ao vê-lo, em Boassas, a tocar e a falar com elas.

video

Jesus Castañon e Fernando Malo em Boassas, 2006

J R

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Peixe





Modelado em Pontevedra, cozi-o no meu forno a gás (1240ºC) , em Celorico. Depois, resolvi fazer uma redução, dentro de uma caixa de ferro bem fechada, contendo combustível no interior.

J R

sábado, 11 de outubro de 2008

Terra Sigillata

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Terra Sigillata é um revestimento macio e lustroso de argila que parece um vidrado e, foi usado primitivamente antes de se inventarem os vidrados para tornar menos porosos os utensílios de barro.
O nome significa “terra selada” e a técnica esteve perdida durante séculos, até que em meados do séc. XX foi redescoberta a natureza do material que era empregue e, na sequência, a técnica.
Foi muito usado pela olaria clássica grega “Attic”, nos figurativos vermelho e negro.
Actualmente, o termo terra sigillata é usado para referir revestimentos especialmente finos de argila, aplicados em peças cerâmicas.
Recentemente tive contactos com a ceramista grega Theodora Chorafas, que demonstrou a técnica, tendo eu ficado interessado e, depois, entusiasmado. Procurei mais conhecimentos em literatura e imagens de Russel Fouts, Vince Pitelka, Michael Wisner, etc.
Estou a dar os primeiros passos, que me deixam contente.
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video

--Clique--

J R

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Curso em Pontevedra

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Arcadi Blasco explicando como faz a redução

Há cerca de um mês fiz uma referência ao X CURSO INTERNACIONAL DE CERÂMICA CONTEMPORÂNEA, realizado no Pazo da Cultura, em Pontevedra, na 2ª quinzena de Agosto, em que participei.
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Arcadi Blasco e J. R.

Como esquema do programa, cada mestre fez uma apresentação da sua obra, no anfiteatro, seguida de tempo suficiente para troca de impressões sobre as mensagens nela transmitidas, técnicas que utiliza, materiais etc. Este ponto foi desenvolvido em um dia e meio.


J. R. em trabalho

Seguidamente, em oficina, todos desenvolvemos trabalhos, os mestres também. O apoio que estes deram aos “alunos” foi muito apreciado.
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Juan Granados e J. R.

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Theodora Chorafas demonstrando técnica

Nos dois últimos dias fizeram-se as cozeduras no forno eléctrico e em fornos que construímos no recinto de uma escola próxima do local onde estivemos.

Grupo etnográfico local

Foi neste recinto que se fez o fim de festa, com comidas e bebidas da região, grupo etnográfico, danças etc., não faltando, já à noite, a maravilhosa “queimada” (digestivo feito com aguardente, açúcar, casca de limão e uns grãos de café a que se chegou o lume).


J. R.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Encontro de Ceramistas na Corunha

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Vai realizar-se nos dias 18 e 19 de Outubro um ENCONTRO DE CERAMISTAS na Corunha, com inscrição grátis, em que será analisada e debatida a actual situação da Cerâmica e, mais ainda, propor acções para dinamizar o sector.
Nunca será exagero compartilhar experiências entre todos. O que fizermos colectivamente depende de cada um de nós.
Para os interessados aqui vai o endereço http://galegadeartesans.org/ga/noticias/index.html
Pormenores em “mais información”
J R

domingo, 5 de outubro de 2008

Cristina Guzman Traver

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Tenho pena de não poder ir a Vila Real, Valência, Espanha.
Pois abriu na 6ª-feira passada, na Galería Espai Assaig, fechando no dia 31 de Outubro, a exposição "Dones Atrapades” da minha amiga Cristina Guzman Traver e gostaria muito de ver a sua obra.
Desejo-lhe o sucesso que merece.
JR

domingo, 14 de setembro de 2008

Louça preta (fim)

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Não pude estar presente no dia 10, quarta-feira, para a abertura do forno, mas o João enviou-me fotografias pela net e falámos pelo móvel sobre a conclusão da fornada.
Atendendo ao cuidado que ele deu a tudo o que se relacionou com a fornada em apreço, seria de esperar o máximo sucesso.
E foi o que aconteceu.
JR

sábado, 6 de setembro de 2008

Louça preta

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Fui convidado pelo João Lourenço, já referido em outras postagens, para a inauguração do seu novo forno, que destina exclusivamente à cozedura de louça preta (atmosfera redutora).


O dia do evento foi hoje, com início às 13.00 horas e ambos fomos pontuais.




Com calma, para tudo correr bem, começou por colocar as peças, separadas umas das outras para que o fumo possa circular entre elas. Constituiram-se assim três camadas, separadas por placas refractárias.



Depois, a boca do forno que fica por cima, foi tapada com duas chapas em forma de semi-círculo, as quais, depois de colocadas, permitem que se ponha uma chaminé, ao centro, pois possuem um buraco para isso. As chapas foram cuidadosamente vedadas com barro.




E, pronto. Acendeu-se o lume que ardeu, primeiro com pouca intensidade para aquecer as peças e para perderem água, apesar de secas ao tacto. Depois, mais forte.


Entretanto, vim-me embora pois tinha alguma distância a percorrer. Os trabalhos, por hoje, ficarão prontos cerca da meia-noite. A temperatura subirá aos 1000ºC e, então, fechar-se-ão completamente todas as aberturas do forno tendo, antes, sido colocada alguma lenha na câmara de combustão. Deste modo, com a atmosfera do forno reduzida em oxigénio, a lenha vai produzir muito fumo que se combinará com as moléculas do barro, tornando-o negro. É a louça preta.

JR

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Alguns trabalhos

Após ter ficado dispensado das actividades profissionais reformei o meu tipo de vida/trabalho, passando a dar especial atenção à actividade artística no âmbito da cerâmica. Assim, tenho procurado aprender as técnicas com ceramistas experientes, para além de efectuar as minhas próprias pesquisas tanto teóricas como práticas.

Comecei com uns cursos de pintura de azulejos em 2002 e 2003.

Em 2004 tomei contacto com a técnica Rakú, que me deixou entusiasmado durante anos.


Carbonação



Em 2007 fiz experiências em azulejaria de aresta.

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Depois desta última experiência tive um curso sobre pastas que me desanimou, por mal desenvolvido em todos os aspectos. E o meu desconsolo ainda se tornou maior pois os meus colegas frequentadores, de um modo geral, aceitavam o disparate.

Num encontro de ceramistas, em Barcelos, a que já fiz alusão noutras postagens, o fogo dos fornos e principalmente o do entusiasmo dos participantes reacendeu-me a chama de ceramista, afinal latente.

Propus-me à frequência do X Curso Internacional de Cerâmica Contemporânea, em Pontevedra. O painel de professores era o máximo - ARCADI BLASCO (Valência), THEODORA CHORAFAS (Grécia) e JUAN GRANADOS (Univ.Texas).

Enviado o meu C.V. fui admitido.

Mas deixo para uma próxima postagem o relato das magníficas impressões que de lá trouxe.

J R

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Ainda Barcelos

Numa das tardes do Encontro visitaram-se alguns oleiros da terra e puderam ser observadas as actividades laborais dos mesmos, que deslumbram sempre. Há novos pormenores para ver e opiniões a trocar.

Com a apresentação de mais estas fotos, termino para já a referência ao ENCONTRO INTERCULTURAL DE CERÂMICA DE BARCELOS ao qual dediquei três postagens.



Máquina conhecida por "fieira" que compacta o barro, facilitando a saída das bolhas de ar existentes. A pasta assim obtida fica plasticamente mais homogénea do que a terra argilosa que entrou na máquina.









Pasta pronta para ser utilizada na "roda" ou nas máquinas de moldagem.



Artesão na "roda de oleiro", levantando um vaso para flores.

Para além de vasos vêem-se outras peças.







Moldagem de vaso em máquina












Diversos modelos de peças em secagem





Figurado de Barcelos.
Abertura do "forno", após cozedura, na oficina de Júlia Ramalho.





J R

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Encontro de Ceramistas - Barcelos

Apresento, agora, alguns aspectos da Exposição UN PONT DE MAR:















Trabalhos de Montagem e Inauguração



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Marisa Alves e Joaquim Pombal
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Josep Matés

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Carlets e Josep Matés
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Marisa Alves e Joaquim Pombal
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Carlets
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Marisa Alves e Joaquim Pombal
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Carlets, Marisa Alves, Joaquim Pombal e Josep Matés
J R

terça-feira, 29 de abril de 2008

ENCONTRO DE CERAMISTAS

Entre 17 e 21 de Março decorreu em Barcelos o 4º ENCONTRO INTERCULTURAL DE CERÂMICA, uma iniciativa do "centoecatorze-espaço de criações artísticas" em parceria com a Oficina do ceramista João Lourenço e do Museu da Olaria. A equipa coordenadora teve a participação dos portugueses Marisa Alves, Joaquim Pombal e João Lourenço e dos catalães Carlets, Josep Matés e Marc Brocal, todos ceramistas de méritos reconhecidos.

As actividades, em que tive o gosto de participar, tiveram, como pontos altos, uma cozedura no forno de lenha de João Lourenço, exercícios com o público no âmbito da cerâmica raku e a exposição UN PONT DE MAR com lugar nos claustros do museu da Olaria.

Deixo agora algumas fotos do evento:


CARREGAMENTO DO FORNO A LENHA



























FORNO ACESO
























DESENFORNAGEM























RAKU COM O PÚBLICO





























































Para continuar.
J R